segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

AS LEIS MORAIS (II)

CAPITULO 9 SUMÁRIO

9 AS LEIS MORAIS (II)

9.1 DA LEI DE SOCIEDADE

9.1.1 Necessidade da vida social

9.1.2 Vida de isolamento: voto de silêncio

9.1.3 Laços de família

9.2 DA LEI DE PROGRESSO

9.2.1 Estado de natureza

9.2.2 Povos degenerados

9.2.3 Marcha do progresso

9.2.4 Rogresso da legislação humana

9.2.5 Civilização

9.2.6 Influência do Espiritismo no progresso

9.3 DA LEI DE IGUALDADE

9.3.1 Igualdade natural

9.3.2 Igualdade de direitos do homem e da mulher

9.3.3 Igualdade perante o túmulo

9.3.4 Desigualdade das aptidões

9.3.5 Desigualdades sociais

9.3.6 Desigualdade das riquezas

9.3.6.1 As provas da riqueza e da miséria

9.4 DA LEI DE LIBERDADE

9.4.1 Liberdade natural

9.4.1.1 Escravidão

9.4.2 Liberdade de pensar

9.4.3 Liberdade de consciência

9.4.3.1 Livre-arbítrio

9.4.3.2 Fatalidade

9.4.3.3 Conhecimento do futuro

9.4.3.4 Resumo teórico do móbil das acções humanas

9.5 DA LEI DE JUSTIÇA DE AMOR E DE CARIDADE

9.5.1 Justiça e direitos naturais

9.5.1.1 Direito de propriedade - Roubo

9.5.2 Caridade - Amor ao próximo

9.6 DA PERFEIÇÃO MORAL - As virtudes e os vícios

9.6.1 Virtudes

9.6.1.1 Caracteres do homem de bem

9.6.1.2 Autoconhecimento

9.6.2 Vícios

9.6.2.1 Paixões

9.6.2.2 Egoísmo

9. AS LEIS MORAIS (II) ([1])

Continuando as nossas considerações sobre as leis morais, que cumpridas le­vam o ser à perfeição moral, não percamos de vista o enfoque geral dado no módulo anterior, de que as mesmas, como foram colocadas na obra O Livro dos Espíritos, formam uma sequência de crescente importância, como se representassem uma es­trutura organizacional que possibilita ao espírito crescer evolutivamente em torno da linha do princípio e finalidade, passando por elas como por etapas subsequentes que se entrosam dinamicamente, fazendo com que a consciência abranja, cada vez mais, um raio maior, figurado na espiral.

A cada volta da espiral teríamos um ciclo completo. Só se seguiria novo ciclo após o indivíduo ter percorrido todas as etapas que correspondem às diversas leis.

O espírito fica retido em cada ciclo até que possa ultrapassar evolutivamente todas as etapas, retornando a essas leis em ciclo mais amplo, como necessidade de aprendizado moral rumo à perfeição.

O equilíbrio entre as várias etapas, medido pela possibilidade de vivenciá-las na sua plenitude espiritual, é que dá oportunidade ao ser de adicionar ao seu aper­feiçoamento moral novos avanços, através de um novo ciclo em que os mesmos princípios que fundamentam as chamadas leis morais deverão ser vivenciados, só que em dimensão superior e ainda não vivida.

9.1. DA LEI DE SOCIEDADE

9.1.1. NECESSIDADE DA VIDA SOCIAL

clip_image001A vida de relação de qualquer pessoa com o seu semelhante é a base do desenvolvimento do psiquismo.

É na relação com o outro que desenvolvemos o nosso eu e as nossas potencialidades psí­quicas. A vida social está na natureza do próprio homem, sendo o isolamento não apenas uma

manifestação do seu egoísmo tolo, mas uma impossibilidade de progresso, por falta de ajuda mútua. Quem se isola candidata-se ao embrutecimento das suas faculdades psíquicas, que acabam por estiolar-se.

O homem, não sendo possuidor de todas as faculdades completas, promove

no convívio com os outros, em troca, o aperfeiçoamento delas, assegurando o seu bem-estar e o seu progresso. No contacto com o seu semelhante educa-se e evolui; é na relação com o outro que desenvolve o seu psiquismo.

9.1.2. VIDA DE ISOLAMENTO E VOTO DE SILÊNCIO

Só mesmo a manifestação egoísta ou manifestação de doença psíquica é que explica, mas não justifica, o isolamento absoluto, visto que com isso não se é útil a ninguém; nem mesmo com o argumento de que assim agem para não se contami­narem com as coisas perniciosas do mundo. Até mesmo os que procuram desculpa para o seu isolamento como forma de expiação, agem contrariamente à lei de amor e caridade, sendo passíveis de condenação pelas leis sábias da vida, que conferem retorno na medida em que se dá.

É altamente meritório, no entanto, o recolhimento e o silêncio que propiciam reflexões superiores, pois colocam o homem em condições de trabalhar de maneira efectiva pelo seu semelhante, melhorando-lhe o nível de vida e de entendimento. Tal atitude é muito diferente do voto de silêncio, que é totalmente tido como sinal de virtude, e do isolamento, que impedem o homem de fazer o bem, cumprindo a lei do amor e do progresso.

9.1.3. LAÇOS DE FAMÍLIA

clip_image002Os laços de família existem como uma ca­racterística humana da criatura que a distingue dos animais que exercem com as suas crias somente o instinto de protecção à sua espécie.

No homem, tal protec­ção, levada ao extremo, é responsável pela deformidade do desenvolvimento

psicológico, criando

dependências que denotam a falta de valores próprios, pois ficam estancados pela acção coerciva da dita protecção.

No homem, havendo outras necessidades, como por exemplo o desenvolvimento moral, além das puramente materiais, que exigem cuidados para a sobrevivência, colocam-no em condição de exercer os laços de família consanguínea como um meio de aprender a amar, na vida social, os semelhantes como irmãos.

O relaxamento dos laços de família é tão pernicioso quanto o egocentrismo, que impede que se rompa o vínculo consanguíneo, como o de raça ou de casta, pois am­bos levam ao egoísmo, uma das chagas da humanidade. Enquanto a supervaloriza- ção da família consanguínea prende a criatura no circuito fechado dos interesses mútuos, o relaxamento dos mesmos remete o indivíduo ao egoísmo pessoal e parti­cular. No seio da família o homem aprende a amar o seu semelhante na sociedade.

9.2. DA LEI DE PROGRESSO

9.2.1. ESTADO DE NATUREZA

clip_image003O estado de natureza é o estado de simplicidade do espírito, é o seu pon­to de partida, quer intelectual, quer moral. É o início da sua caminhada através da linha do princípio e da finalidade que lhe cumpre percorrer, accionado pelas diversas leis que se conjugam entre si com vista a permitir- lhe o desenvolvimento das potencialidades divinas.

É lei natural que esta evolução se dê, impedindo que o homem permaneça indefinidamente no seu estágio de infância espiritual, que de nada lhe valeria se fosse perpetuado. A permanência em tal estágio dar-lhe-ia um estado aparente de felicidade, que é a felicidade do bruto, como a do animal, cujos instintos estão inteiramente satis­feitos.

Havendo necessidade de evoluir - sair do estado de natureza empurrado pela lei natural - o homem cria uma série de atribulações próprias dos vários estágios pelos quais deva passar. Não podendo retrogradar, mas apenas estacionar por tem­po determinado, é, por isso, responsabilizado no curso geral da sua vida imortal, cri­ando para si embaraços e dificuldades que só o tempo bem aproveitado poderá res­gatar.

9.2.2. POVOS DEGENERADOS

À primeira vista, alguns povos, depois de abalos profundos, caem num pro­cesso de degeneração, facto que aparentemente nega a lei do progresso. A explica­ção que a Doutrina Espírita nos fornece é a de que não são os mesmos espíritos que animam os descendentes de um povo que degenera; são espíritos menos evoluídos, que reencarnam aproveitando o meio ambiente que lhes é favorável, mas que não serão permanentemente atrasados, pois através dos tempos, das provações individu­ais e colectivas ressarcirão o seu passado, reabilitando-se através de mudanças que ocorrem na continuidade das suas múltiplas encarnações, pois todos os espíritos ca­minham para a mesma finalidade, que é a perfeição moral, e a nenhum Deus de­serda.

Tal como um indivíduo que passa pelas fases da infância, juventude, maturi­dade e decrepitude, com os povos isso também ocorre. Aqueles, cujas leis se harmo­nizam com as leis eternas do Criador, viverão e servirão de farol aos outros povos.

É utópico pensar que no futuro todos os povos, mercê da evolução espiritual, formarão apenas uma nação. A impossibilidade existe porque a diversidade de cos­tumes, que geram necessidades próprias, manterão a individualidade das nações. Mas o entendimento fraterno, executado através da lei de caridade, aproximará os povos e as nações, que saberão conviver em plano de ajuda mútua e de paz, mesmo que isso seja alcançado apenas num futuro distante.

9.2.3. MARCHA DO PROGRESSO

clip_image004Está presente no homem a força que o destina para o grande amanhã, mas cumpre que pelo processo de relação com os outros e do aprendizado que faça, desenvolva este princípio. É da lei: aquele que mais se desenvolva ajude o menos desenvol­vido, para não criar os grandes desníveis que acabam por gerar, na ausência da lei do amor, o mecanismo servo-senhor ou dominado-dominador.

O progresso moral, que é o grande objectivo do espírito, é uma conquista de­corrente do progresso intelectual, porque, através deste último, a criatura humana aprende a discriminar os valores, para poder escolher o que mais lhe convém, usando a faculdade do livre-arbítrio.

A possibilidade de escolha, após o conhecimento discriminativo, é função da inteligência, que assim cria a responsabilidade do acto. A acção automática, instintiva ou imitativa, realizada sem a determinação da vontade é acto casual, mecânico ou condicionado, que não tem valor moral e denota apenas um estado circunstancial do espírito.

Só passo a passo os povos conseguem atingir o progresso. Fbr enquanto, o homem tem usado o conhecimento para alimentar a sua inferioridade moral, geran­do, como consequência, a necessidade do sofrimento, como instrumento da sua ele­vação moral. Um dia o homem equilibrará as duas forças, a intelectualidade e a mo­ralidade, atingindo a sabedoria.

O progresso é uma força viva da Natureza, não estando no homem o poder de sustê-lo pelas leis oriundas do seu egoísmo e orgulho; quando muito, embaraça-o, estando sempre a sofrer a sua acção construtiva. Os abalos físicos e morais que sofre a humanidade de tempos a tempos são a mostra da sua presença transformadora.

As revoluções morais, como as revoluções sociais, infiltram-se nas ideias pou­co a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em har­monia com as necessidades novas e com as novas aspirações.

Apesar do desenvolvimento material, ao observador desavisado parece que o homem, em vez de avançar, recua moralmente; no entanto, uma visão de conjunto mostra-nos que o homem do século XX é muito mais evoluído socialmente do que há
séculos. É verdade que ainda estamos longe de equilibrar o progresso intelectual com o moral, mas a finalidade do homem na Terra é justamente essa. Às vezes é preciso "que o mal chegue ao excesso, para se tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas". O que ainda impede o homem de alcançar o seu destino é o orgulho e o egoísmo.

9.2.4 . PROGRESSO DA LEGISLAÇÃO HUMANA

A legislação humana é uma criação das exigências sociais pela não compreen­são e devida aplicação das leis naturais que, por si só, bastariam para reger o com­portamento do homem.

Bas vão-se depurando com o passar dos tempos, aperfeiçoando-se à medida que os homens compreendem a justiça como meio de regular a relação humana, e vão-se tornando mais estáveis à medida que se identificam com a lei natural.

O que se vê, contudo, é que, influenciado pelas paixões, o homem cria deve­res e direitos imaginários, que acabam por servir aos interesses de grupos, em detri­mento da maioria. As leis severas e punitivas têm a finalidade de tentar reparar o erro cometido, embo­ra "só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas.”

9.2.5. CIVILIZAÇÃO

clip_image005O conceito de civilização varia de acordo com o ângulo básico que se lhe dê.

Se a entendermos como o conjunto de procedimentos que levam o homem a ter uma vida mais confortável, não se preocupando com os meios usados para atingir o conforto, teremos uma visão pragmática e imediatista, porque não dizer, materialista!

Mas, se considerarmos como civilização um conjunto de valores conquistados pelo esforço humano no cam­po das ideias e dos ideais, concretizados no respeito ao semelhante, na consecução de leis justas que devolvem a paz de consciência ao ser, mesmo que o conforto material não seja atingido como meta principal, teremos uma visão idealista e cultural da civilização, porque não dizer espiritualista!

O homem inferior preocupa-se em primeiro lugar, com o seu conforto material; o superior procura estar em paz com a sua consciência, buscando sempre auxiliar o seu semelhante, mesmo que isso lhe custe a renúncia a bens materiais.

Os indícios de uma civilização completa serão conhecidos pelo desenvolvimen­to moral dos que a compõem, que se tratarão irmamente, banindo o egoísmo e o
orgulho, dando lugar à caridade cristã no relacionamento individual e entre as na­ções.

Também a civilização terrena passa por fases e períodos desde a infância até à maturidade.

De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exis­te menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais inte­lectuais e morais do que materiais, onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa fé, benevolência e generosidade recí­procas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimen­to, pois tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas tanto para o último como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco en­contre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, as suas crenças e opi­niões sejam mais respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim, onde todo o homem de boa vontade esteja certo de não lhe faltar o necessário.

9.2.6 . INFLUÊNCIA DO ESPIRITISMO NO PROGRESSO

Os princípios doutrinários do Espiritismo, por estarem na Natureza, tornar-se- ão crença geral e marcarão uma era nova na história da humanidade, ocupando lu­gar entre os conhecimentos humanos.

A existência de um princípio criador e sustentador do Universo - Deus; a exis­tência e imortalidade de um principio inteligente individualizado - o espírito; a conti­nuidade permanente e eterna da existência deste princípio em outros níveis dimensi­onais - a imortalidade do espírito; a possibilidade de sintonia entre os espíritos dos vários níveis dimensionais, com a consequente troca de influências - a comunicabili- dade dos espíritos; o retomar de tarefas não terminadas, o resgate de dívidas contra­ídas e a necessidade de desenvolvimento constante, sob o ponto de vista espiritual - a reencarnaçâo; a possibilidade da evolução se fazer não apenas na Terra, mas atra­vés dos biliões de planetas existentes no universo - a pluralidade dos mundos habita­dos; provam os pontos cardeais do Espiritismo e estão na base de todas as discus­sões actuais promovidas pela Ciência, que se arvora como representante do conhe­cimento, e não sabemos se demorará apenas mais do que duas gerações para que tais princípios fiquem devidamente aceites e comprovados.

Destruindo o Materialismo, que volta o homem para os interesses apenas imediatos; libertando a sua mente para a adopção de princípios superiores; demos­trando ao homem a continuidade da sua existência, passando por cima da morte como por uma estação intermediária na sua grande viagem cósmica pelo Universo, em busca da perfeição, então o homem perceberá que o seu presente é fruto do passado e o futuro, fatalmente, será construído pelo seu presente, onde aplicará a acção, não apenas buscando o seu conforto material e o seu bem-estar transitório, mas adoptando leis morais que unirão os homens solidariamente como irmãos.

Tal influência no progresso da humanidade já se fez sentir, embora de manei­ra ténue, mas firme e segura, e chegou à humanidade na época em que ela se apre­sentava com necessidade de recebê-la para não se afundar no materialismo esterili- zante. O progresso de tal influência dar-se-á não somente pela multiplicação das ma­nifestações espirituais, mas, fundamentalmente, pelo amadurecimento dos conheci­mentos já existentes e pelo reconhecimento da mudança que o Espiritismo opera na conduta do homem para com o seu semelhante.

9.3. DA LEI DE IGUALDADE

9.3.1. IGUALDADE NATURAL

Todos os homens são iguais perante Deus, que os criou simples e ignorantes, e perante a lei natural, pois os direitos são para todos.

A desigualdade que vemos entre os homens é fruto da sua própria evolução e esforço, baseada no facto de cada um ser herdeiro de si mesmo ao longo de sua trajectória evolutiva, onde forja a sua superioridade espiritual.

9.3.2. IGUALDADE DE DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER

clip_image006Perante Deus e a lei natural o homem e a mulher têm direitos iguais, pois a ambos foi concedida a inteligência e a consciência de esco­lha do bem e do mal e também a faculdade de progredir.

A inferioridade com que a mulher é tratada provém de preconceitos milenares de que o homem, sendo fisicamente mais forte, tem o direito de oprimir e dominar a sua fragilidade. Deus, porém, forneceu a força para amparar e proteger e não para escravizar e esmagar. O homem e a mulher, por terem funções específicas, só po­dem suportar as provas e vencer juntos se ajudarem mutuamente.

Uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar os direitos igua­litários do homem e da mulher, respeitando a diversidade de funções, para evitar uma confusão e sobreposição dos papéis que cabem a cada um e que geraria uma situação competitiva.

Todo o privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emanci­pação da mulher acompanha o progresso da civilização. A sua escravização marcha a par da barbárie. Os sexos, além disso, só existem na organização física. Visto que os espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos.

9.3.3. IGUALDADE PERANTE O TÚMULO

O túmulo é o ponto de reunião de todos os homens. Aí terminam, ineluta- velmente, todas as distinções humanas. Em vão o rico tenta perpetuar a sua memó­ria, mandando erigir faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como lhe con­
sumirá o corpo. Assim o quer a Natureza. Menos perecível do que o seu túmulo será a lembrança das suas boas e más acções. A pompa dos funerais não o limpará das suas torpezas, nem o fará subir um degrau que seja na hierarquia espiritual.

9.3.4. DESIGUALDADE DAS APTIDÕES

O que à primeira vista pode parecer uma injustiça - a variedade e desigualda­de de aptidões - é a maior prova da harmonia divina, expressa na lei de progresso, que coloca espíritos de condições evolutivas diferentes uns ao lado dos outros, com a finalidade de que o que estiver em situação pior encontre um modelo que lhe sirva de meio e estímulo para a sua melhoria.

A diversidade de aptidões facilita o desenvolvimento da solidariedade entre todos, pois aquilo que um não faz, faz o outro, e no final todos precisam uns dos outros, entendendo-se que só na troca é que se desenvolve o amor fraterno e o res­peito mútuo.

Espíritos de planos superiores têm como finalidade servir de auxiliares do pro­gresso, quando encarnam em mundos e meios inferiores, dando, assim, testemunho da sua compreensão e renúncia, desempenhando papel de real valor na ordem geral evolutiva.

9.3.5. DESIGUALDADES SOCIAIS

As condições de desigualdade social são criadas pelo homem e não determi­nadas por Deus. Nascem, geralmente, do abuso no campo do egoísmo e do orgulho, que se atenuarão cada vez mais através do mecanismo reencarnatório que conduz ao progresso em todos os níveis. A única desigualdade natural é a do merecimento e dá origem a uma hierarquia moral natural ou cósmica.

9.3.6. DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

clip_image007É utopia a igualdade absoluta das riquezas, porque a diversidade das faculdades e dos caracteres logo a desfaria, pela força dos acontecimentos. O importante não é uma igualdade absoluta, mas uma distribuição equitativa, baseada na lei de justiça, de amor e de caridade, únicas capazes de anularem o egoísmo e o orgulho.

Geralmente, os grandes monopólios constroem-se à custa do trabalho diuturno e suarento de anónimos co­laboradores que, por uma questão de justiça, devem receber pagamento pelos seus esforços, o que na sociedade actual nem sempre acontece. A exploração do trabalho
de muitos enseja o enriquecimento ilícito de poucos, que perante as leis maiores se candidatam a múltiplas dificuldades espirituais posteriores.

A riqueza deve servir para reparar injustiças e ajudar a colectividade a crescer, proporcionando-lhe o bem-estar, que "consiste em cada um empregar o seu tempo como lhe apraz e não na execução de trabalhos pelos quais nenhum gosto sente. Em tudo existe o equilíbrio; o homem é quem o perturba”. A miséria é fruto do egoísmo e da imprevidência da sociedade, por um lado, e da preguiça e da acomodação, por outro, e só a educação moral dos seus membros é que a eliminará definitivamente.

9.3.6.1. As provas da riqueza e da miséria

Tanto a prova da riqueza como a da miséria são concedidas por escolha do próprio espírito que, frequentemente, sucumbe nelas.

Enquanto o pobre se perde em queixas, na revolta e até no crime, como ten­tativa de reparar uma injustiça social, o rico não se compromete espiritualmente me­nos quando, esquecendo que quanto mais poder exerce, maiores deveres e obriga­ções tem para com os seus semelhantes e apenas cuida de aumentar o seu patrimó­nio material, tornando-se egoísta, orgulhoso e insaciável. "Deus experimenta o pobre pela resignação, e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder.”

9.4. DA LEI DE LIBERDADE

9.4.1. clip_image008LIBERDADE NATURAL

É da natureza do espírito a necessi­dade de se libertar. Como a liberdade abso­luta não existe, a criatura vive situações a que deve obedecer.

Na raiz da obediência por imposição residem as primeiras sementes da rebeldia. Com a sua rebeldia o homem quebra a har­monia entre a sua consciência e a criação. Esta harmonia só será restabelecida pelo conhecimento, compreensão e observância da lei divina ou natural.

Fbr ter na sua intimidade (inconscien­te) todos os germes das potencialidades di­vinas de que é dotado, o espírito busca liber­tar esse potencial, através da sua acção permanente, e tenta vivenciá-lo no conscien­te. Este é o caminho que o espírito realiza, através da linha do princípio e finalidade. Quanto mais livre do seu inconsciente mais responsável se torna o indivíduo pelo que faça; quanto mais sabe mais deve fazer.

9.4.1.1. Escravidão

A escravidão de antigamente, reprovável em todos os sentidos, dá lugar à es­cravização moderna do homem pelo homem, do homem pela máquina, do homem pela economia, do homem pela política, etc.

Todo aquele que tira proveito do outro, usando-o egoisticamente para atingir os seus próprios fins, transgride a lei de liberdade, incorrendo numa forma de escra­vização.

A desigualdade natural das aptidões tem servido como desculpa para o domí­nio dos fracos pelos fortes, quando cumpriria a estes fornecerem meios e recursos para aqueles crescerem. Isso dá-se não apenas no palco individual, mas também no empresarial, entre os povos e as nações. Cada ser, individual e colectivamente falan­do, tem o direito de ser senhor de si próprio, sendo ""contrária à lei de Deus toda a sujeição absoluta de um homem a outro.""

9.4.2. LIBERDADE DE PENSAR

A liberdade de pensamento é uma condição básica para o espírito se sentir li­vre. A espontaneidade e a criatividade, que são factores espirituais, devem estar sempre presentes no pensamento da criatura, evitando que ela se robotize, apenas repetindo, em circuito fechado, o que lhe imprimem, através dos meios modernos de massificação.

Perante a lei divina o homem é responsável pelo que pensa e pelo que faz do seu pensamento.

9.4.3. LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA

clip_image009Por ser a liberdade de consciência corolário da liberdade de pensar, “é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso. Assim como os homens, pelas suas leis, regulam as relações de homem para homem, Deus, pelas leis da natureza, regula as relações entre ele e o homem.”

Tem-se como certo que Deus se manifesta no homem através da consciência; quanto mais consciente é o homem, mais próximo está de Deus.

Por ser a crença manifestação do entendi­mento íntimo do espírito, ela será sempre respeitá­vel quando conduzir o homem à prática do bem, e será reprovável qualquer atitude de repressão à crença de quem quer que seja, a menos que esta leve o indivíduo para a prática do mal. Neste caso, em vez da repressão deve utilizar-se o esclarecimen­
to e a educação. “Se alguma coisa se pode impor, é o bem e a fraternidade. Mas não cremos que o melhor meio de fazê-los admitidos seja agir com violência. A con­vicção não se impõe.”

Uma doutrina será reconhecida como boa e útil quando fizer homens de bem, “visto que toda a doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perni­ciosa.”

9.4.3.1. Livre-arbítrio

clip_image010O livre-arbítrio é uma função do pensa­mento livre accionado pela vontade. Pode ser obstaculado, pelas predisposições instintivas, que são o acervo que o espírito traz de vidas anteriores.

Quanto mais evoluído for o espírito, mais facilmente mane­jará o seu livre-arbítrio; quanto mais livre para agir, mais responsável pelas consequências dos seus actos.

Devemos, porém, lembrar a influência que exerce a matéria, representada pelo corpo físico, sobre o espírito, embaraçando-lhe a manifestação, mas não lhe determinando a acção, que é da responsabilidade exclusiva dele. É como se um raio luminoso fosse opacificado pelo meio que atravessa. O contacto com a matéria é causa de sofrimento para o espírito mais evoluído, que lhe impede a livre manifesta­ção, servindo-lhe de limite à acção. O mau funcionamento dos órgãos do corpo físico pode, assim, ser um meio de punição para o espírito, por abusos cometidos anteri­ormente, que causam alterações perispirituais, correspondentes aos órgãos lesados. “O espírito, porém, sofre por efeito desse constrangimento, de que tem perfeita consciência. Está aí a acção da matéria.”

Fbrém, não exime de responsabilidade, nem serve de desculpa para os actos reprováveis, a afirmação de que o indivíduo agiu de maneira equivocada, porque estava sob a acção de qualquer tipo de tóxico (álcool, cocaína, drogas, enfim), pois aí, em vez de uma, comete duas faltas: a de se envenenar voluntariamente e a de agir incorrectamente.

9.4.3.2. Fatalidade

A fatalidade é a consequência natural da lei de causa e efeito, quando todos os seus mecanismos amortecedores e compensadores não possam ser accionados, ou já se tenham esgotado, ficando o indivíduo à mercê da resposta inevitável do que tenha gerado.

Também a fatalidade pode ser a expressão da escolha que o próprio espírito faz ao encarnar, como prova física, ficando as chamadas provas morais na depen­dência do seu livre-arbítrio, em ceder ou resistir, às eventuais pressões que receba. As provas fatais, de uma forma geral, têm a finalidade de resgate para o espírito que se encontra em débito com a lei maior.

"Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou doutra, a ele não podeis furtar-vos."" Isto quer dizer que todos os acontecimentos que o homem, para justificar os seus erros, rotula de fatais, podem ser modificados com a acção do seu livre-arbítrio, desde que, com a devida antecipação, raciocine e actue de modo a fugir daquilo que lhe pareça já sem solução ou fatal.

A morte como extinção do fluido vital, que aviventa o corpo físico, libertando

clip_image011o espírito para a sua vida noutro plano, é fatal, podendo, no entanto, o seu momento ser modificado, por

antecipação ou

adiamento, em que múltiplas situações se conjugam. Quando todos estes mecanismos convergem para

determinada hora, o homem tem que se render, depois de ter utilizado todos os meios para evitá-la, porque se trata de um fenómeno natural, de passagem de volta para o seu mundo original - o mundo espiritual.

A fatalidade da morte é a manifestação da superioridade do mundo espiritual sobre o material e não como muitos pensam, um desígnio preestabelecido de dia, hora e local, como situação fixa, inamovível e inexorável.

O homem, por mais que faça, jamais conseguirá imortalizar a vida na matéria, porque isso contrariaria a natureza da própria matéria, que é perecível, finita e se­cundária ao espírito.

Com a capa da fatalidade muitos procuram esconder os seus próprios actos, procurando eximir-se da responsabilidade, contudo "sempre confundis duas coisas muito distintas: os sucessos materiais da vida e os actos da vida moral. A fatalidade, que algumas vezes há, só existe em relação àqueles sucessos materiais cuja causa reside fora de vós e que não dependem da vossa vontade (vide flagelos destruidores, no 8.° caderno). Quanto aos vossos actos da vida moral, esses emanam sempre do próprio homem que, por conseguinte, tem sempre a liberdade de escolher. No to­cante, pois, a esses actos, nunca há fatalidade.”

Se a fatalidade fosse uma lei que se sobrepusesse à do livre-arbítrio, não have­ria na acção do homem, nem mérito nem culpa, pois não haveria responsabilidade.

Diante da situação de dificuldade geral por que passa o mundo na actualida­de, e lembrando que estamos numa época de fecho de ciclo evolutivo da humanida­de, recordemos que nós mesmos escolhemos as nossas provas. "Quanto mais rude ela for, e melhor a suportares, tanto mais te elevarás. Os que passam a vida na abundância e na ventura humana são espíritos pusilânimes, que permanecem estaci­onários. Assim, o número dos desafortunados é muito superior ao dos felizes deste mundo.” Os espíritos, na sua maioria, procuram as pessoas que lhes sejam mais pro­
veitosas. Eles vêem perfeitamente bem a futilidade das vossas grandezas e gozos. Acresce que a mais ditosa existência é sempre agitada, sempre perturbada, quanto mais não seja pela ausência da dor.

Os homens, através da sua imprevidência e da sua luxúria, criam a fatalidade que a Deus utiliza para que eles resgatem as suas próprias dívidas.

9.4.3.3. Conhecimento do futuro

clip_image012O conhecimento do futuro é vedado ao homem para lhe permitir a continui­dade no trabalho e na esperança, desenvolvendo assim os seus dotes espirituais, porque se conhecesse por

antecipação, o que viria a acontecer, simplesmente se acomodaria, já que tudo estaria traçado e nada poderia modificar.

Quando, porém, ele

precisa de executar uma tarefa especial, Deus poderá conceder-lhe esse conhecimen­to, ou, então, revelar-lhe o futuro, como uma prova pela qual deve passar.

Se Deus sabe por antecipação que o homem sucumbirá, que falhará nesta ou naquela situação de vida, porque permite tal prova? O facto é que o homem fabrica o seu próprio futuro e tem necessidade de enfrentar a escolha entre o bem e o mal. Em caso de quedas, estas servem para abater o seu orgulho e a sua vaidade, para desenvolver-lhe a humildade, a força de vontade, a constância no trabalho e a sua capacidade de recuperação.

Se conhecesse o futuro em minúcias nada faria para evitá-lo, porque tudo já estaria escrito.

Sofrendo as consequências dos seus actos pela lei de causa e efeito, compre­ende que o futuro será fruto das suas acções e procura então evitar o mal e fazer o bem, que é o único caminho de crescimento espiritual.

9.4.3.4. Resumo teórico do móbil das acções humanas

O homem jamais é levado fatalmente à prática do mal. Ele, pelas circunstân­cias da vida e do meio onde viva, pode encontrar maiores facilidades para a prática do mal, mas, em última instância, sempre tem a liberdade de agir e o mal realizado sempre estará em relação directa com o nível de consciência em que a acção for pra­ticada.

O conhecimento e a prática das leis que regem o comportamento fazem com que o homem progrida e que os outros, que estão ligados a si, também progridam, pela influência benéfica que é capaz de transmitir.

A causa determinante dos nossos actos está no nosso livre-arbítrio, ou seja, na vontade livre de escolha, podendo sofrer a influência de espíritos, mas sem haver um
arrastamento irreversível; somente uma verdadeira associação de propósitos. Se sai vencedor dessa luta, ele eleva-se; se fracassa, permanece o que era, nem pior, nem melhor. Na razão da sua elevação, cresce-lhe a força moral, fazendo que se afastem dele os maus espíritos.

9.5. DA LEI DE JUSTIÇA, DE AMOR E DE CARIDADE

9.5.1. JUSTIÇA E DIRBTOS NATURAIS

clip_image013Faz parte da natureza in­trínseca do espírito a noção e o sentimento de justiça, que se desenvolve à medida que o progresso moral avança.

1'nilcd NíKions Cbiklren\ í;uiul A lei de justiça

manifesta-se de maneira diferente entre os homens, face à mistura das paixões e dos interesses pessoais e de grupos que os caracteriza.

Basicamente, ela consiste em cada homem respeitar os direitos do outro, con­forme o ensinamento cristão: Fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem.

Como o homem deve viver em sociedade, nascem-lhe obrigações de relacio­namento, que prevêem o respeito aos direitos do próximo. Na falta deste respeito surgem perturbações no meio social, que acabam por generalizar-se, dificultando até o bom relacionamento entre os povos e as nações.

Conquanto, à primeira vista, a atribuição de direitos iguais, a si e aos seus semelhantes, pudesse dar ideia de anarquia, tal facto não ocorreria, desde que aque­le que tivesse valor fosse reconhecido pelo que não o tivesse. Estamos a falar de uma hierarquia natural, que nasce do bom senso e da responsabilidade dos que se acham num plano superior.

Bem diferente das hierarquias impostas e defendidas à custa da opressão e lu­tas destruidoras, que apenas geram revolta e vingança.

9.5.1.1. Direito de propriedade - roubo

A propriedade mais primária que o indivíduo possui, como direito natural, é a vida. Deve respeitá-la ao máximo, em si e no seu semelhante, e torna-se réu quando atenta contra a sua ou a do seu próximo, comprometendo-lhe a existência corporal.

O direito sobre a propriedade material é-lhe atribuído temporariamente e deve fazer uso dela a benefício de todos.

A verdadeira propriedade é aquela que foi adquirida sem o prejuízo de ou- trem, devendo o homem contentar-se com o que possui e não deixar-se levar de ma­neira desvairada, acumulando bens materiais, que, na maioria das vezes, servem para estabelecer grandes lutas fratricidas entre os herdeiros.

O roubo pode ser considerado como sendo todo o acto de apropriação indé­bita, não apenas conseguida através da força e da violência, mas também da astúcia enganadora em qualquer acção que prejudique alguém.

Fortunas conseguidas através deste procedimento, que são louvadas pelos mesquinhos como obras de vivacidade e esperteza, quase sempre deixando atrás de si marcas de lágrimas e dores dos espoliados, devem ser consideradas como erigidas pelo roubo.

9.5.2 . CARIDADE - O AMOR AO PRÓXIMO

clip_image014Caridade é o amor em acção.

clip_image015O verdadeiro sentido da caridade está na "benevolência para com todos, in­dulgência para com as imperfeições dos outros e perdão das ofensas”; portanto, não está apenas na ajuda material aos desafortunados sociais.

Está também presente no amor aos inimigos, que significa perdoar-lhes as ofensas, quase sempre nascidas da ignorância, do orgulho e da vaidade, retribuindo-lhes o mal com o bem.

clip_image016É um erro fazer da caridade um sinónimo de esmola - consequência da miséria, que é uma chaga social, pois "uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. Condenando-se a pedir esmola, o homem degrada-se, física e moralmente: embrutece.” Triste, ainda, a sociedade que não fornece meios de recuperação, pelo trabalho e pela educação, àqueles que são inclinados, por falta de recursos, à marginalidade e ao crime.

Faz mais caridade quem gera emprego e trabalho do que quem distribui bens de consumo. É mais caridoso dar ao homem meios para lutar pelo seu próprio pão do que encher-lhe o estômago com a esmola que avilta, deseduca, torna dependente e acomoda quem a recebe. "Quando quiseres dar alguma coisa a alguém, dá-lhe a cana em vez do peixe.”

Neste caso podem estar presentes todos os sentimentos de que o homem é capaz de sofrer a influência, pois, sendo ela primária, serve de inspiração ao que cada um deve desenvolver no curso da sua existência infinita e imortal.

Fara o filho, a mãe resume o veículo pelo qual aprende a conhecer e reconhe­cer o universo que o cerca; para a mãe, o filho é o veículo pelo qual ela pode expres­sar toda a gama de sentimentos resumidos no amor.

Cumpre aos pais darem aos filhos o melhor ensinamento da vida, através dos seus exemplos, não esquecendo que, através da reencarnação, espíritos com dívidas entre si, se reúnem na mesma família, para se ajustarem mutuamente, podendo daí resultar atritos e incompreensões que só o amor, associado ao tempo, resolverá. Também devemos recordar que muitos desvios dos filhos se devem à negligência,
acomodação e falta de preparação dos pais, que não têm forças suficientes para lhes modelar o carácter.

O amor materno e filial serve como protótipo das ligações afectivas que ocor­rerão entre as criaturas na sociedade, durante a vida, permitindo-lhes vivenciar os seus potenciais até ao infinito.

9.6. DA PERFEIÇÃO MORAL - AS VIRTUDES E OS VÍCIOS

clip_image017Para o homem comum, vir­tude é toda a resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendo­res. A sublimidade da virtude é o sacrifício dos interesses pessoais a favor do bem do próximo.

Só não têm que lutar aqueles em quem o progresso já se realizou. Esses lutaram outrora e triunfaram. É por isso que os bons sentimentos nenhum esforço lhes custam e as suas acções parecem-lhes simplicís­simas. O bem tornou-se-lhes um hábito.

Vício vem a ser o arrastamento voluntário aos maus pendores, sem qualquer tipo de resistência; é uma fraqueza a que se entrega o espírito com a finalidade de satisfazer os seus interesses pessoais, sem preocupar-se com o prejuízo causado a outrem.

Um traço característico da imperfeição é o interesse pessoal colocado acima de qualquer outra coisa. O verdadeiro desinteresse é ainda coisa tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram, como se fosse um fenómeno.

O desinteresse é uma virtude, mas a prodigalidade irreflectida constitui sem­pre, pelo menos, falta de juízo. A riqueza, assim como não é dada a uns para ser aferrolhada num cofre-forte, também não o é a outros para ser dispersada ao vento. Rtepresenta um depósito, do qual uns e outros terão de prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que poderiam ter feito e não fizeram, por todas as lágrimas que poderiam ter estancado com o dinheiro que deram aos que dele não precisavam.

Os que fazem o bem a pensar em recompensa ou reconhecimento, nesta ou noutra vida, operam a serviço do orgulho e da vaidade, não merecendo, portanto, a condição de homens de bem.

A riqueza é um veículo que o homem deve utilizar para a prática do bem co­mum e geral e não apenas para usufruí-la pessoalmente, em detrimento dos demais.

O conhecimento é um tipo de riqueza como outro qualquer, do qual o ho­mem terá de prestar contas pela sua aplicação. O conhecimento dos defeitos alheios e a sua divulgação escandalosa é altamente censurável, devendo o que conhece os erros dos seus semelhantes evitar cometê-los, agindo de maneira oposta, para não incorrer nos mesmos. Quando a revelação de um mal não traga nenhum bem como consequência, é altamente culposa; mas o esclarecimento que se faça sobre ele, com vista a evitar-lhe a acção perniciosa, é um bem.

9.6.1. VIRTUDES

9.6.1.1. Caracteres do homem de bem

clip_image018O homem de bem reconhece-se pela sua elevação espiritual, que é mostrada pela compreensão da vida espiritual e pelas suas atitudes, evidenciadas na prática da lei de Deus, ou seja, das leis morais.

O homem de bem procura ser justo, amoroso, caritativo, fazendo aos outros o que gostaria que lhe fizessem.

É humanitário, bondoso e benevolente. Ste é rico materialmente, encara a riqueza material como um depósito que Deus colocou nas suas mãos para gerar bem-estar ao maior número possível de pessoas, através do trabalho engrandecedor.

É complacente com os que estão sob a sua dependência, usando a sua autoridade para lhes levantar o moral, nunca para esmagá-los. Não é egoísta nem vingativo. É inteligente e respeitador em relação aos erros e direitos dos seus semelhantes.

9.6.1.2. Autoconhecimento

O meio prático e eficaz que o homem tem de se melhorar nesta vida e resistir à atracção do mal que reside nele próprio, é o de conhecer-se, de mergulhar nas pro­fundezas da sua estrutura psicológica, mental e espiritual e encarar-se face a face, corajosamente. Isto pode ser conseguido à medida que o homem interroga a própria consciência, passando em revista os seus actos quotidianos; quando ele questiona se fez todo o bem ao seu alcance, com as múltiplas oportunidades que a vida lhe con­cedeu naquele dia e se pôde evitar os males que lhe acenaram.

Mas como pode o homem ser juiz de si próprio, quando procura sempre amenizar as suas faltas e engrandecer as suas pequenas boas acções? O meio de verificação infalível é questionar-se como veria tais atitudes praticadas pelo seu seme­lhante, como o julgaria?

Outro meio de aferir quanto ao valor da nossa conduta está na medida e na opinião que fazem de nós os nossos inimigos que, na maioria das vezes, exceptuan­do os casos de inveja e antipatia gratuita, são instrumentos que Deus coloca no nos­so caminho para advertência. Dizem com franqueza, e até com aspereza, o que o nosso melhor amigo evitaria dizer-nos.

A reflexão sobre todos esses elementos leva-nos, fatalmente, ao autoconhe­cimento. É por este tipo de conhecimento que iremos aumentar o raio de acção da nossa consciência, agindo de maneira eficaz contra os males, fruto da nossa igno­rância e da falta de prática das leis morais.

Conhecendo e praticando as leis morais, de maneira sistemática e ordenada, acrescentamos em nós os valores eternos e permanentes da perfeição moral, que nos levarão à pureza espiritual, para a qual fomos criados, fechando o ciclo de evolu­ção.

De Deus saímos simples e ignorantes (inconscientes), para Deus voltaremos sábios e puros, porque perfeitamente conscientes.

9.6.2. VÍCIOS

9.6.2.1. Paixões

A paixão é a concentração de energia que proporciona um exagero de acção. Ela faz parte da natureza humana e, quando é bem direccionada, pode levar o ho­mem a grandes realizações, como o pode levar também a grandes derrocadas. O segredo está em saber governá-la, para evitar qualquer prejuízo ao semelhante, o que acabará por reverter contra o seu possuidor.

Enquanto o homem a dirige, pode ser a alavanca de grandes conquistas; quando ela dirige o homem pode ser a escada de grandes abismos. O seu mal não está no uso, mas sim no abuso.

Todas as paixões têm o seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural. O princípio das paixões não é, assim, um mal, pois assenta numa das condi­ções providenciais da nossa existência. Toda a paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza espiritual.

Todo o sentimento que eleva o homem acima da natureza animal denota predominância do espírito sobre a matéria e aproxima-o da perfeição.

O homem vence as más inclinações pelo exercício da vontade e através dos seus esforços, secundado pela ajuda eficaz da assistência espiritual que faça por me­recer.

9.6.2.2. clip_image019O egoísmo

É o pior de todos os vícios, de onde deriva todo o mal; é a verdadeira chaga da sociedade, porque é a anu­lação do amor ao semelhante. O egoísmo é o maior neu- tralizador das demais qualidades do homem; é a hiper­trofia do interesse pessoal.

For ser inerente à espécie humana, é um obstácu­lo ao reinado do bem na Terra, sendo característica da inferioridade do espírito. Dele se despoja somente à me­dida que se instrui acerca das coisas espirituais e, assim, desprende-se do valor material que dá às coisas e às pes­soas, e melhorando-se nas relações sociais com o seme­lhante.

O endurecimento espiritual da humanidade é grande, sendo preciso que o mal derivado do egoísmo seja tão intenso que coloque a sobrevivência do homem em risco, a fim de poder acordar para a realidade da vida, para a solidariedade, que é fruto do respeito aos direitos dos outros. Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não serão mais vistos homens a quem falta o indispensável, porque todos praticarão a lei

de justiça. Esse é o reinado do bem, que os espíritos estão incumbidos de preparar.

Sendo a mais enraizada dentre todas as imperfeições humanas, por derivar da influência da matéria sobre o espírito, o egoísmo oferece grande resistência à sua destruição.

Ftelo facto do homem estar muito próximo da sua origem, o egoísmo está sempre presente nos seus actos e somente quando a vida moral predominar sobre a material é que ele será vencido. O maior golpe que se pode dar ao egoísmo recai sobre o seu filho directo o personalismo, que erige para o seu possuidor um pedestal onde ele assenta.

O fortalecimento do egoísmo também se deve ao facto de o homem, ao ex­perimentar o do seu semelhante, como defesa, desenvolve o seu; daí a importância do exemplo, que gera modelos, não só na família, mas também na comunidade so­cial. O homem deseja ser feliz, sendo natural o sentimento que dá origem a esse desejo. Ftor isso, trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra e pesquisa as causas dos seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que é no egoísmo que residem as causas que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o magoam; que perturba todas as re­lações sociais, provoca as dissensões e aniquila a confiança; que o obriga a manter-se constantemente na defensiva contra o seu vizinho; enfim que dum amigo faz um inimigo, ele compreenderá, também, que esse vício é incompatível com a sua felici­dade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança. E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combate a peste, os animais nocivos e todos os outros flagelos. O seu próprio interesse o induzirá a isso.

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a de todas as vir­tudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.

RESUMO

AS LEIS MORAIS (CONTINUAÇÃO)

Com fim didáctico, imaginemos o espírito a evoluir por ciclos (uma volta com­pleta da espiral em torno do seu eixo - a linha do princípio e da finalidade), vencendo etapas (as leis morais) que, vivenciadas em conjunto, expandirão a consciência, per­mitindo-lhe um maior raio de acção, simbolizando a sua perfeição moral.

DA LEI DE SOCIEDADE

O ser humano desenvolve o seu psiquismo na relação com o outro. É na troca com o seu semelhante que desenvolve e aperfeiçoa as suas faculdades.

O isolamento total, além de ser contrário à lei natural, é a manifestação do mais puro egoísmo - o egocentrismo. O isolamento parcial, quando serve para refle­xões e aperfeiçoamento das faculdades do espírito, depois mobilizadas a favor do bem comum, é meritório.

A família é um meio no qual o espírito aprende a utilizar as suas faculdades, porque ela é uma micro-sociedade. No respeito aos familiares, o homem aprende a respeitar os seus irmãos na sociedade.

DA LEI DE PROGRESSO

Do estado de simplicidade ao estado de pureza, o espírito evolui graças à lei de progresso, que o impulsiona como uma força natural, fazendo-o enfrentar as diversas atribulações.

O progresso moral torna-se o grande objectivo. É alcançado à medida que o espírito aprende a discriminar os caminhos que deve conscientemente palmilhar, usando, para tanto, a sua capacidade intelectual.

Só valem, como componentes da evolução espiritual, os actos gerados a nível da consciência esclarecida, por ser a discriminação uma função da inteligência, o que coloca o progresso intelectual como base do progresso moral.

Fbr enquanto, devido ao seu atraso espiritual, o homem tem feito do conhe­cimento um veículo para a sua satisfação imediatista. Quando souber aplicá-lo com sabedoria, terá encontrado o caminho da evolução moral. O orgulho e o egoísmo têm sido, entre os homens, os maiores obstáculos à lei de progresso.

A existência de povos degenerados não contraria o progresso; apenas mostra que a lei de causa e efeito se faz presente, devolvendo aos semeadores o fruto amargo das suas semeaduras.

Ftelas características próprias e pela influência dos costumes locais, a humani­dade futura será sempre formada por nações diferentes, mas que se entenderão, graças ao princípio da evolução e da caridade.

A civilização, na Terra, passa por estágios de crescimento e desenvolvimento como o próprio homem. Quando ela atingir a maturidade, veremos as nações a res­peitarem-se mutuamente, não pretendendo interferir uma na liberdade da outra, ajudando-se fraternalmente, exercendo a justiça em toda a sua extensão.

A legislação humana procurará aproximar-se cada vez mais das leis naturais, que não abonam os privilégios de castas, de dirigentes, nem de minorias, mas que se estendem a todos, em igualdade de condições.

O Espiritismo tem grande influência na lei do progresso, pois é um instrumen­to valioso para o homem entender a sua natureza, o seu lugar no Universo e o seu papel na ordem geral das coisas. Libertando o homem das ideias materialistas, pro- move-o a cidadão espiritual, colocando-o em condições de uma visão mais ampla acerca do seu próprio futuro, instruindo-o sobre como deve fazer para atingir a sua pureza espiritual.

DA LEI DE IGUALDADE

Fterante Deus, todos os homens são iguais. Estão em posições evolutivas dife­rentes, mercê do esforço de cada um e da época da sua criação.

A desigualdade de aptidões é fruto do desenvolvimento individual e o conví­vio grupal de pessoas com aptidões diferentes é um incentivo à ajuda mútua.

As desigualdades sociais são fruto de abusos do homem e a desigualdade das riquezas é uma prova que nem sempre é superada. Os ricos, em vez de utilizarem o seu património gerando trabalho, dignificando o homem, fazem da sua exploração uma fonte de aumento da sua riqueza, envolvendo-se, cada vez mais, no egoísmo e no orgulho destruidores. Os pobres, em vez de aproveitarem a oportunidade para o desenvolvimento dos seus potenciais de trabalho construtivo e dos sentimentos sa­dios, decorrentes do cumprimento dos seus deveres, perdem-se na revolta, na aco­modação e na preguiça, acumulando, ainda mais, misérias e atrasos. É claro que en­tre estes dois extremos existem posições diversas.

O homem e a mulher têm os mesmos direitos perante Deus; porém, os pre­conceitos humanos colocam a mulher como oprimida e o homem como opressor. Ambos têm funções específicas que só alcançam o seu mais alto nível de desenvol­vimento quando eles se associam.

Apesar do fausto dos túmulos que pretende perpetuar a memória do morto, perante a morte todos os homens são iguais, cada um levando para o mundo espiri­tual a sua consciência, como resultado de todas as suas experiências.

DA LEI DE LIBERDADE

A liberdade é um impulso natural que provém do espírito que almeja sair de onde está e ser o que ainda não é. For ser criado e não se criar, sente-se escravo da criação e luta sempre para ser livre.

Ftelo facto de no estado de simplicidade ser inteiramente inconsciente, a sua luta faz-se no sentido de consciencializar-se. Quanto mais consciente mais responsá­vel.

A escravização de qualquer modalidade - do homem pelo homem, pela má­quina, pela economia, pela política - contraria a lei de liberdade.

A liberdade de pensamento e de consciência é um direito inalienável do ho­mem, servindo como aferidora do progresso e da civilização.

O livre-arbítrio é função do pensamento do espírito, podendo ser diferente­mente enquadrado devido a influências passadas, acumuladas em processos de abu­so. A responsabilidade do acto é consequência directa do livre-arbítrio e do estado de consciência em que se encontre o espírito.

A fatalidade é decorrência natural da lei de causa e efeito e pode ser gerada com grande antecipação ou nos momentos que antecedem o acto.

A morte, como extinção da vida física que depende do fluido vital, é fatal, podendo, no entanto, o seu momento ser modificado por antecipação ou retarda­mento, em que múltiplas situações se conjugam, principalmente de ordem espiritual. O mundo espiritual precede o mundo material.

A matéria só existe em função da existência do espírito; ela não teria finalida­de se não fosse para servir de suporte à evolução do espírito. A imortalidade é do espírito e não da matéria que é perecível, finita e transformável.

A fatalidade não deve servir de capa encobridora das responsabilidades do homem, que a usa para eximir-se da culpa.

O homem, sozinho ou em grupo, pode accionar mecanismos da lei de causa e efeito, gerando a fatalidade. Quando esta se abate sobre uma colectividade é por­que as responsabilidades são grupais, mas Deus tira dela sempre um resultado pro­veitoso.

O homem, pelo seu presente, pode deduzir o seu futuro, desde que conheça as leis que regem a evolução. Como sempre é vítima de si mesmo, recebendo in­fluências do seu passado ou do seu presente. Cumpre-lhe, usando a sua inteligência, fugir do mal e praticar o bem, tornando-se bom, único caminho de crescimento espi­ritual.

A fatalidade nunca leva o homem a praticar o mal, que sempre nasce do seu desejo, seja por inferioridade, por vício ou por fraqueza.

DA LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

A lei de justiça faz parte do ser humano. Basicamente, está no respeito aos di­reitos do outro. É deformada pelo interesse pessoal, de grupos ou povos, servindo ao egoísmo e ao orgulho.

Ela deve prevalecer para regular as acções entre os homens, baseada no res­peito a uma hierarquia moral que, ainda, infelizmente, não vige na nossa sociedade.

O direito mais primário que o indivíduo detém é o da sua própria vida; daí, o dever de preservá-la e a do próximo também.

A verdadeira propriedade é a que o indivíduo consegue pelo seu trabalho, dedicação, sem prejuízo de outrem, devendo, sempre, contentar-se com o que pos­sui, evitando desvairar-se à procura de acumular bens materiais.

Todo o acto de apropriação indébita com ou sem violência, mas sempre com astúcia, é considerado roubo.

A caridade, sendo o amor em acção, deve ser sempre dinâmica e nunca pa­ternalista. Não se pode confundir esmola com caridade. A caridade não é um acto, é uma virtude, que deve estar presente em todos os actos do ser humano.

O amor materno-filial e filial-materno é um dos primeiros modelos do amor entre os homens.

Serve como protótipo para o desenvolvimento do amor entre as pessoas, nou­tros níveis de relacionamento. Quem não aprendeu a amar a sua mãe ou o seu filho, não saberá amar o seu semelhante; e quem não sabe amar o seu semelhante não pode afirmar que ama a Deus.

DA FERFEIÇÃO MORAL

A virtude é a força de resistência aos maus pendores; o vício é a aceitação e a repetição de actos que caracterizam os maus pendores, fruto do atraso e da igno­rância do espírito.

Os bens que o espírito detém devem ser aplicados sempre em benefício de muitos, pois aquele que apenas usufrui para si das riquezas que possui denota o seu grau de atraso e de egoísmo.

A moral sem exercício é como semente sem fruto.

As paixões são forças vivas do espírito, que as deve dominar, para aplicá-las convenientemente a favor do seu progresso espiritual, porque quando é dominado por elas, geralmente, candidata-se a grandes derrocadas morais.

O egoísmo é um vício do espírito. Dele derivam todos os males; é a negação do amor ao próximo, único meio do indivíduo sair do seu ensimesmamento; é um traço de inferioridade do espírito. O personalismo é o filho dilecto do egoísmo.

Como a caridade é a mãe de todas as virtudes, só ela poderá enfrentar o pai de todos os vícios - o egoísmo.

Conhece-se o homem de bem pelos seus actos, tal como uma árvore pelos seus frutos e não pelos títulos que se lhe pendurem nos galhos.

A maneira pela qual o homem se melhora e o espírito evolui é a do conheci­mento de si mesmo.

Conhecer-se a si próprio, ao meio que o rodeia, às leis que regulam o seu re­lacionamento com este meio e com os seus semelhantes, aplicando o conhecimento das leis morais em si mesmo, é o que leva o espírito à perfeição, tirando-o da incons­ciência para a consciência plena.

BIBLIOGRAFIA

Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Terceira Farte - Cap. 7 a 12. - 36.a Edição (Fopu- lar) da Federação Espírita Brasileira; traduzido do título original francês Le Livre des l^sprit^, editado em Faris em 18-4-1857.


[1] Todo este caderno foi elaborado com base no Livro dos Espíritos, 3.a Rarte, Cap. 7 a 12, correspon­dendo as citações colocadas entre aspas ao texto da tradução da 36.a edição da FEB.

161

Sem comentários:

Chat